domingo, 13 de setembro de 2009

Acordar, Viver



Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-meàquele reino onde não existe vida e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,a fábula inconclusa,suportar a semelhança das coisas ásperasde amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento que lembra a Terra e sua púrpurademente?
E mais aquela ferida que me inflijoa cada hora, algoz do inocente que não sou?Ninguém responde, a vida é pétrea.

Autor: Carlos Drummond de Andrade